terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Camões terá nascido faz hoje 500 anos


Camões terá nascido faz hoje 500 anos (rtp.pt)

MOSTRANDO O TEMPO


 “Mostrando o tempo está variedades,
por onde o que se espera não se alcança;
todo mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, em mim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.”

Luís de Camões, poeta português, em Poesia Lírica.


terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Po.e.mas Sol.tos

 Sol de janeiro

                                                       Passeio das Virtudes, Porto

Nunca tanto como hoje reparei com atenção
na luz do sol de Janeiro. 
Forte mas delicada. 
Furtiva mas demorada. 
Não arde nem faz tremer.
Não é densa nem clara. 
A luz do sol em Janeiro: 
assim é o nosso amor
oculto pela tinta dos dias 
apenas espreita uma aberta
(uma distracção das nuvens)
Para luzir e irromper
(nunca antes como hoje precisei)
tanto que o vento lhe desse oportunidade).
O nosso amor é Janeiro:
mesmo se o julgo esquecido
sei que está sempre lá. 

João Luís Barreto Guimarães 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

EFEMÉRIDES À MESA

 

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto











A 27 de janeiro assinala-se, anualmente, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Este dia foi implementado através da Resolução 60/7 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a 1 de novembro de 2005.
O propósito deste dia é não esquecer o genocídio em massa de seis milhões de judeus pelos Nazis e respetivos colaboracionistas. Este constitui um dos maiores crimes contra a Humanidade de que há memória. Por outro lado, pretende-se educar para a tolerância e a paz, bem como alertar para o combate ao antissemitismo.
A Comissão Europeia, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), a ONU e a UNESCO criaram a campanha #ProtectTheFacts, como forma de combater o negacionismo e a desinformação em relação ao Holocausto.
O tema que marca as iniciativas deste ano é "Home and Belonging". A forma como as vítimas ajustaram as suas ideias de «lar» e "pertença" ao enfrentarem a violenta e antissemita investida durante o Holocausto, e o que significava "lar" e "pertença" para os sobreviventes nos anos imediatos do pós-guerra.
(https://eurocid.mne.gov.pt/)



sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Dos Nossos Alunos - HUMAN RIGHTS



 All rights matter. Of course they do. How could they not? How can we talk about freedom of expression if we don’t talk about the right to live a safe life? How can we feel safe talking about religion or sexuality if we live in a country without freedom of expression? I believe all rights should be respected. After all, they’re rights for a reason.

In a perfect world, there would be no human rights violations. Unfortunately, we know that’s pretty much impossible. So, even though all UDHR’s rights are equally important, I think we should prioritize. As I said before, there are some rights we don’t even think about if we don’t have others assured. Overall, I believe we should aspire to a perfect world and do our best to achieve that. We should not waver when we don’t see results right away.

This fight is a process. Looking back we can see that we’ve come a long way, but we need to keep going since there’s still a lot more we can achieve.

 

 

Raquel Vilaça Ferrão, nº9 12ºCSE

Dos Nossos Alunos

 "Conto à Vista"

No âmbito da comemoração do Mês das Bibliotecas Escolares a BESCM lançou o concurso intitulado "Conto à Vista", desafiando os alunos a escreverem um conto a partir de uma imagem.

No Ensino Básico a imagem escolhida foi o quadro de Paula Rego "As Criadas" 

e no Ensino Secundário "A noite Estrelada" de Vincent Van Gogh.

 MoMA The Museum of Modern Art

A  Biblioteca agrade-se e congratula-se com a participação de todos os alunos e divulga o nome dos vencedores e respetivos contos.



A MONTANHA-RUSSA DE EMOÇÕES 

Na primeira metade do século XX, numa vila muito tranquila, havia uma senhora chamada D. Maria e sua filha. Viviam numa casa pequena, aconchegante e colorida, com as suas duas criadas e o porco de estimação. 

  D. Maria andava muito triste e chorosa, uma vez que o seu marido faleceu ao combater na 1ª Guerra Mundial. Para a alegrar, as suas criadas, que gostavam muito da sua patroa, aconselharam-na a ir a  um restaurante que tinha fama de ter comida muito saborosa. 

    Apesar de não ter vontade, D. Maria decidiu seguir o conselho de suas criadas e levou a sua filha a almoçar fora. Quando entrou no restaurante, sentou-se numa mesa a um canto, bem resguardada e escolheu o prato para ela e para a sua filha, Beatriz. Enquanto se deliciavam com a apetitosa refeição, conversavam alegre e distraidamente uma com a outra. A pequena menina, ao beber do seu copo de forma sôfrega, acabou por derramar um pouco do sumo na sua camisa. A mãe, não querendo que a menina ficasse com a roupa molhada junto ao peito, correu à procura de um sítio para secar.  

    Ao entrar numa porta castanha, D. Maria viu um belo cozinheiro, que olhou também para ela. Este, ao ver tanta beleza, atrapalhou-se e deixou cair a panela em cima de D. Maria. Envergonhado, o cozinheiro desfez-se em desculpas. Foi amor à primeira vista. Começaram a falar e descobriram que tinham gostos muito parecidos.  Marcaram logo um encontro e foram fazendo mais programas juntos. Depois de um tempo, ele pediu-a em namoro e depois em casamento. Foi um dia muito bonito e emocionante. As criadas de D. Maria, que eram muito especiais para ela, foram as suas madrinhas de casamento. 

D. Maria e seu marido, os filhos Beatriz e José, que nasceu do segundo casamento, as criadas e o porco Piruças, viveram felizes para sempre.  

Texto realizado por: Lourenço Moutinho, Maria Cunha e Teresa Castro; 7ºA 



 O PRATO ENVENENADO 

Era uma vez, em tempos que já lá vão, um castelo muito, muito antigo. Era o Castelo dos Mil Segredos. Nesse castelo, vivia a futura rainha, a Princesa Miranda. Ela encontrava-se, com a sua irmã, no quarto onde as figuras reais se costumavam arranjar para os eventos. A Princesa Miranda estava nesse quarto, pois as criadas arranjavam-na para a Coroação. A sua irmã, essa, envolvia as mãos com nervosismo e com expectativa e esperança de ver o seu plano triunfar. 
A irmã mais nova da Princesa Miranda chamava-se Graça, Princesa Graça. A Princesa Graça, que sempre tivera o sonho de ser rainha, criou um plano para envenenar a irmã, de modo a ser a coroada. Então, a Princesa pensou a qual das criadas poderia pedir ajuda. Escreveu um bilhete a pedir a Clara (a criada que a arranjava) para envenenar a comida que Miranda iria comer no Grande Jantar da Coroação. Clara, ao ler o bilhete, assentiu, mas, com o descuido, deixou o bilhete no tocador e saiu para a cozinha para envenenar o prato de Miranda. Joana, a outra criada, que arranjava Miranda, leu o bilhete e ficou alarmada. 
O Grande Jantar seria antes da Coroação, onde a Princesa Miranda seria entronizada. No momento em que Joana, a criada, tinha lido o bilhete escrito pela Princesa Graça, estavam a ser preparados os pratos para o jantar. Joana tinha como função servir os pratos de todos aqueles que estivessem no jantar. Então, ela decidiu que iria trocar os pratos destinados à Princesa Miranda e à Princesa Graça. Ou seja, ela daria o prato da futura rainha (o que tinha veneno) a Graça e Miranda iria comer a comida que era destinada à sua irmã. Como os pratos eram fisicamente iguais, ninguém iria perceber. E assim, seria Graça a castigada pelas suas maldades! 
Na cozinha, Clara, a empregada, colocou o veneno no prato da Princesa Miranda. 
Horas depois, quando todos os reis, rainhas, príncipes e princesas se encontravam no Salão Nobre para o Grande Jantar da Coroação, os pratos começavam a ser servidos. Clara, que os entregava a Joana para ela os servir, estava nervosa. Quando finalmente chegou às mãos de Clara o prato que ela tinha envenenado e o prato da Princesa Graça, deu-os a Joana e disse-lhe:
- Este é o prato da Princesa Mirande e este o da Princesa Graça. 
Joana recebeu-os e dirigiu-se ao lugar onde Miranda estava sentada. Conforme o que tinha planeado, deu a Miranda o prato de Graça e a Graça o prato envenenado, ou seja, o prato de Miranda. 
A meio do jantar, a Princesa Graça começou a sentir-se mal, e sem saber o que fazer, foi à casa de banho. Joana, ao ver que o seu plano tinha dado certo, sorriu. Na casa de banho, Graça, a Princesa invejosa que queria ser rainha, viu toda a sua maldade cair sobre ela, fechando os olhos para todo o sempre. 
Moral da história: O feitiço vira-se sempre contra o feiticeiro. 

Trabalho elaborado por: 
Ana Fernandes, Maria João Padrão, Sofia Ferreira e Tomás Ferreira – turma 7.º G




SONHO OU REALIDADE?

Acordo com os meus olhos a reclamarem da luz solar vinda da janela ao meu lado. Aconchegado naquela que suporta o peso da minha existência, a minha cama, e naquela que as minhas queixas ouve, a minha almofada, o meu cérebro demora a processar a sua própria atividade. No canto do meu olho, no lado oposto ao meu, está uma presença a mexer em caixas de cartão. Com um olhar fixado, identifico o meu gato, tal como ele normalmente é: pelagem negra, cauda teimosa, e patas subordinadas à sua vontade. Depois de considerar a minha própria existência durante alguns segundos, começo a analisar o espaço à minha volta. O tato afirma que tenho uma cama desorganizada e enrugada, o olfato responde que não há irregularidades no ar, a visão relata a mesma dor de quando acordei, o paladar recorda-me da minha fome, e a minha audição notifica-me constantemente do barulho que o meu gato faz. Já orientado, o meu primeiro objetivo do dia nasce: Repor o meu lugar seguro tal como estava na noite anterior, desta vez com novos lençóis e uma nova almofada. Decidi levantar-me, em direção ao armário onde se localizavam as roupas exclusivas a camas. Depois de colocar as minhas pernas a acordar, já na metade do caminho, a minha visão começa a mudar. Aquele corredor que se estendia naquilo que parecia a distância de um campo de futebol, começou a distorcer-se. O longe tornou-se perto, e o perto tornou-se longe. Nesse momento, já não conseguia distinguir realidade de sonho. Estrelas de inúmeros tamanhos e cores envolveram os meus arredores, e, de um momento para outro, escoltaram-me para um lugar desconhecido. Em um piscar de olhos, encontro-me em um descampado ensolarado preenchido de vegetação seca. Imediatamente após o ar que eu começo a respirar faz-me tossir constantemente. Ao lado do meu pijama, da minha fome, da minha mente perdida, e das dificuldades de respiração, eu olho nos meus arredores. Deteto uma subida, e no topo uma única árvore, morta. No lado oposto, uma descida que leva a um planalto interminável, novamente preenchido de vegetação morta. Sem agir, o meu corpo começa a congelar, e não de frio. Enquanto que o meu corpo lida com as dificuldades respiratórias, a minha mente lida com a confusão do que está a acontecer. Ao mesmo tempo em que comecei a olhar para a árvore, a minha mente começa a engolir a sua própria cauda, como se a asfixia do meu corpo não fosse suficiente: ‘’Onde estou?’’, ‘’Isto é um sonho?’’, ‘’Vou morrer?’’. Quando já estava quase a perder o contacto com os meus olhos, e já quase derrubada estava a minha consciência, começo a sentir o meu coração a bater. Sempre a um ritmo constante, eu ouço e sinto o bater do coração que faz parte do meu ser. Acalmante, sereno, manso, agradável, confortável.... Podia viver o resto da minha vida neste momento... Subitamente, vejo-me cercado por escuridão pura, onde a única fonte de luz visível irradia de mim mesmo. Quando eu começo a ganhar gradualmente mais consciência, a luz, branca absoluta, começa a ser emanada com mais intensidade, até eu começar a formular os meus primeiros pensamentos: ‘’Sinto-me calmo.’’, ‘’Eu não estava em casa?’’. Surge uma réplica exata do meu quarto, que começa a transfigurar o espaço escuro à minha volta: ‘’Onde estou? O que é que me aconteceu?’’, começa a ruir o quarto, degradando-se lentamente; ‘’Mas isto é calmo, e satisfatório.’’, retrocede a ruína, destacando o quarto com mais cor. Não sei o que me aconteceu, mais sei que posso ficar assim eternamente. 
Realizado por: Bruno Pimenta, Nº4, 12ºD




domingo, 26 de novembro de 2023

Po.e.mas Sol.tos

  

O QUADRO DO FUTURO


Havemos de ir ao futuro

Havemos de ir ao futuro

e quando lá chegarmos

hão-de estar no sofá os nossos pais

a cuidar dos sonhos que nos deram

Os nossos avós a encher de luzes a árvore de natal

Os nossos filhos, e os filhos deles

espantados e atrevidos como nós

Havemos de ir ao futuro

e quando lá chegarmos

hão-de estar todos juntos numa festa à nossa espera

mesmo os amigos que perdemos no caminho

Hão-de lá estar todos com balões de várias cores, bolo-rei

e ao fundo da sala um cartaz do tamanho da nossa idade

onde se lê: ainda bem que vieram

Havemos de ir juntos ao futuro

ou se não houver boleia para todos ao mesmo tempo

havemos de nos encontrar lá

Havemos de ir ao futuro e, no futuro,

estará finalmente tudo, como dantes.


Filipa Leal

in «Vem à quinta-feira», Assírio & Alvim, 2016



Filipa Leal nasceu no Porto em 1979. Formou-se em Jornalismo na Universidade de Westminster, em Londres, e é Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde apresentou a dissertação sobre os “Aspectos do cómico na poesia de Alexandre O’Neill, Adília Lopes e Jorge de Sousa Braga”.
Jornalista cultural, foi editora do suplemento literário do jornal O Primeiro de Janeiro. Colabora assiduamente no ciclo Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre e tem feito leituras de poesia em diversos locais do país (Serralves, Fundação Eugénio de Andrade, Biblioteca Almeida Garrett, Casa das Artes de Famalicão, Casa Fernando Pessoa, entre outros).
Tem participado em vários encontros internacionais de escritores e é colaboradora permanente da revista Um Café, distribuída nos cafés do Porto. O Bando dos Gambozinos musicou um dos seus poemas, agora disponível no álbum Com Quatro Pedras na Mão. Integra, desde 2004, os Seminários de Tradução Colectiva de Poesia Viva da Fundação da Casa de Mateus.
Publicou lua-polaroid (2003), Talvez os Lírios Compreendam (prefácio de António Mega Ferreira, 2004), A Cidade Líquida e Outras Texturas (2006) e O Problema de Ser Norte (2008).

In Correntes D’Escrita (CM Póvoa do Varzim)