sexta-feira, 8 de abril de 2022

Po.e.mas Sol.tos

 





A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos

                              In Dual (1972) – Sophia de Mello Breyner Andresen

 

terça-feira, 22 de março de 2022

Po.e.mas Sol.tos

 




Poema à Primavera


Depois do Inverno, 
morte figurada, 
A primavera,
uma assunção de flores. 
A vida 
Renascida 
E celebrada 
Num festival de pétalas e cores. 


 Agora

 
Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.


Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.
Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado.

 

ODE À PRIMAVERA

A vida anda possessa de Poesia!
Anda prenha de mosto!
Ou é da luz do dia,
Ou é da cor do rosto,
Ou então quer abrir-se, neste gosto
De pão com todo o sal que lhe cabia!
 
Tem narcisos de amor no coração,
Folhas de acanto nos sentidos!
E carícias na mão
A espreitar dos tendões adormecidos!
 
Toca-se numa pedra, e ela treme!
Murmura-se uma prece, e a boca grita!
A rabiça do arado é como um leme
Sobre a terra que ondula e ressuscita!
Quem avoluma a sombra, ou quem a teme?
Cada presença é um hino que palpita!
E se na estrada alguém discorda e geme,
Ninguém que vai no sonho o acredita!
 
Serás tu, Primavera?
Tu, com frutos na rama do futuro,
Com sementes nos pés
E flores inúteis sobre cada muro,
Contentes só da graça que tu és!

 

Miguel Torga


Biografia de Miguel Torga

Miguel Torga (1907-1995) foi um escritor português, um dos mais importantes poetas do século XX. Destacou-se também como contista, ensaísta, romancista e dramaturgo, deixando mais de 50 obras publicadas.

Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu em São Martinho de Anta, Vila Real, Portugal, no dia 12 de agosto de 1907. De família humilde, com 10 anos foi para a cidade do Porto trabalhar na casa de familiares. Foi porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava a escadaria etc.

Em 1918 foi mandado para o seminário de Lamego, onde estudou Português, Geografia e História, Latim e os textos sagrados. Depois de um ano decidiu que não queria ser padre.

Em 1920, com 13 anos, Miguel Torga viajou para o Brasil para trabalhar na fazenda de café, de um tio, em Minas Gerais. Foi matriculado no Ginásio, em Leopoldina.

Em 1925, com 18 anos, regressou a Portugal acompanhado do tio, que percebendo a inteligência do sobrinho se prontificou a custear seus estudos em Coimbra.

Durante três anos cursou o Liceu e em 1928 matricula-se na Faculdade de Medicina. Em 1933, depois de formado, começou a exercer a profissão em sua terra natal.

Carreira literária

Ainda estudante de medicina, Miguel Torga Iniciou sua vida literária e publicou seus primeiros livros de poemas:

  • Ansiedade (1928)
  • Rampa (1930)
  • Tributo (1931)  
  • Abismo (1932)

Em 1934, publicou A Terceira Voz, quando passou a usar o pseudônimo que o imortalizou. As criticas ao regime franquista espanhol contidas no livro O Quarto Dias, levaram-no à prisão em 1940

 Miguel Torga evitava agitação e publicidade, mantinha-se longe de movimentos políticos e literários, não dava autógrafos ou dedicatórias e não oferecia livros a ninguém, para que o leitor fosse livre para escolher.

Sua obra reflete as apreensões, esperanças e angústias de seu tempo, traduz sua rebeldia contra as injustiças e sua revolta diante dos abusos do poder.

Miguel Torga escreveu uma vasta obra, em poesia, prosa, romance e teatro. Teve seus livros traduzidos para diversas línguas. Foi por várias vezes candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.

Miguel Torga recebeu vários prêmios, entre eles:

  • Prêmio do Diário de Notícias (1969)
  • Prêmio Internacional de Poesia de Knokke-Heist (1976)
  • Prêmio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S. (1981)
  • Prêmio Camões (1989)
  • Prêmio Personalidade do Ano (1991)
  • Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992)
  • Prêmio da Crítica, consagrando a sua obra (1993)

Miguel Torga faleceu em Coimbra, Portugal no dia 17 de janeiro de 1995.

Obras de Miguel Torga

  • Ansiedade (1928)
  • Rampa (1930)
  • Tributo (1931)
  • Pão Ázimo (1931)
  • Abismo (1932)
  • A Terceira Voz (1934)
  • O Outro Livro de Jó (1936)
  • Bichos (1940)
  • O Quarto Dia (1940)
  • Contos da Montanha (1941)
  • Rua (1942)
  • O Senhor Ventura (1943)
  • Libertação (1944)
  • Vindima (1945)
  • Odes (1946)
  • Sinfonia (1947)
  • O Paraíso (1949)
  • Cânticos do Homem (1950)
  • Portugal (1950)
  • Alguns Poemas Ibéricos (1952)
  • Penas do Purgatório (1954)
  • Traços de União (1955)
  • Orfeu Rebelde (1958)
  • Câmara Ardente (1962)
  • Poemas Ibéricos (1965)
  • Fogo Preso (1976)
  • A Criação do Mundo (V volumes, 1937, 38, 39, 74 e 81)
  • Diário (XVI volumes, 1941 a 1993)

 

quarta-feira, 16 de março de 2022

EFEMÉRIDES À MESA

No dia 21 Março, DIA DA ÁRVORE, celebra-se também o DIA MUNDIAL DA POESIA. Este dia  celebra a diversidade do diálogo e a  livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação.







Professora Lurdes Lousada


EFEMÉRIDES À MESA - DIA MUNDIAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR - 15 de março de 2022

   

O Dia Mundial dos Direitos do Consumidor foi  celebrado no dia 15 de março, na Biblioteca Escolar da ESCM, numa atividade, que decorreu entre as 10:05 e as15:00, dinamizada pela professora Isabel Amaral, do Grupo Disciplinar de Economia.

  As atividades decorreram com apresentações várias sobre o Consumo - consumismo/ consumerismo/ consumo sustentável/ direitos do consumidor - feitas pelos alunos da turma 10ºD. Estes  alunos  tinham o objetivo de sensibilizar os colegas do 9º ano (9º B e 9º C) para o tema/ curso, para além de pretenderem partilhar  os seus trabalhos com as turmas 11ºH e 11ºD.

  Estiveram presentes as docentes de Educação Visual, Maria da Paz Amorim, e a suboordenadora do grupo 430, Gorete Porto.

  Os alunos dinamizadores, que evidenciaram um grande sentido de responsabilidade e partilha, apresentaram trabalhos muito interessantes e com grande qualidade. Os que vieram assistir também mostraram grande sentido cívico pela sua postura e interesse.

  A Biblioteca congratula-se com a colaboração de todos os intervenientes nesta atividade e dá os parabéns a todos.







segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Dos Nossos Alunos


CONCURSO CARTAS DE AMOR



No dia 14 de fevereiro, dia de S. Valentim, foi comemorado com a realização de um Concurso de Cartas de Amor.
Esta atividade ,dinamizada pela Biblioteca Escolar da ESCM, destinou-se a alunos, professores e funcionários e decorreu entre os dias 1 e 11 de fevereiro. 

Eis a carta vencedora dos alunos!




11 fevereiro 2022, Porto

À mãe da minha mãe, minha primeira mãe,
Estou. O "amor" não é mais do que delicadamente estar. Foi o que aprendi ao longo destes dezassete anos no teu colo.
Mas chamar-lhe amor? Será uma frivolidade?
O que sinto transborda tudo o que existe e até o que não existe. Na minha finita existência, o infinito não basta para me expressar.  Vem antes de mim e vai para além de mim.
És o sentido. 
E agora que a vida me puxa para longe de ti, não desejo nada mais do que simplesmente ter-te como minha eterna companhia. Afinal, qual é o sentido sem o nosso sentido?
Sabes, chega a ser injusto este destino do Homem. Ter de aprender a ter-te sem verdadeiramente te ter. Ainda não é o tempo.
Mas é eterno o tempo da felicidade que me causas.
Sei lá. As coisas são como têm de ser. E há muitas coisas.
Há a certeza de que entre nós não há fim. De que maneira for, tu avó, estarás aqui. Em mim. Fora de mim. Em toda a parte.
Mas, chamar-lhe amor? Não sei o que cabe no amor. E isto, talvez, não cabe nem no tudo.
É só, simplesmente só.
Tudo e mais além.
                                                                                                                                                                                                                 J.


Dos Nossos Alunos

Vencedora do concurso Faça lá um Poema, 13º edição



meu

pensar no que te escrever

é tão vago. é tão denso.

escrever não é a minha arte,

mas é a minha entrega.

da janela, azul sem fim.

[o que há no fim, se não um início?]

pensar no que te escrever é isto.

mergulhar no que me rodeia, sem me afogar.

[afogo-me sempre]

há tanto para pensar,

tanto para escrever

e o tanto parece nada, por ser tanto.

[não cabe em mim]

eis pensar no que te escrever.

                                  Joana Perira, nº 8, 12º B



O poema “meu” da autoria da aluna Joana Pereira, nº 8, do 12.º B, foi um dos poemas premiados na 13.ª edição 2022 do Concurso “Faça lá um poema”, uma parceria entre o Plano Nacional de Leitura e os CTT- Correios de Portugal, S.A.
Este concurso, com a intenção de incentivar o gosto pela leitura e pela escrita de poesia, tem por objetivo celebrar o Dia Mundial da Poesia.
A entrega dos prémios vai ter lugar no Centro Cultural de Belém (CCB) no dia 26 de março, entre as 15h00 e as 18h00.
Os outros concorrentes, Bruno Martins, do 12º G, e Clara Crespo, do 9ºG, também estão de parabéns pela sua participação com dois belíssimos poemas.
De parabéns está também o nosso agrupamento por contar com alunos tão motivados e com tanta veia poética.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

EFEMÉRIDES À MESA

 

SEMANA UBUNTU DA EMPATIA

22 a 25 fevereiro


No âmbito do projeto Ubunto, durante cinco dias desenvolveu-se na ESCM um programa de atividades e dinâmicas para promover a Empatia " pensar a partir do ponto de vista do outro e sentir com o outro".