quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Dos Nossos Alunos

 CONTOS VENCEDORES do Concurso "Conto à Vista"


A canção que uniu o amor.

por Maria Inês, 7ºC


  Sentado à beira da estrada, o homem dedilhava o violão como se cada nota fosse um pedaço de história a ganhar asas. Os viajantes que passavam abrandavam, atraídos pela melodia quente que parecia pintar o ar de luz. Entre eles estava Dinis, que nunca tinha ouvido uma canção capaz de a fazer parar assim. Quando os olhos dele se cruzaram com os dela, a música mudou — como se fosse um convite silencioso para uma aventura que ainda ninguém tinha escrito. E foi aí que tudo começou. 

  Dinis era um rapaz muito gentil, engraçado, carinhoso e muito apaixonado por músicas; ele tinha apenas 15 anos. Numa bela tarde estava a tocar o seu violão ao pé da estrada, perto de  uma árvore, e deparou-se com Inês, a rapariga de quem ele gostava desde o 7º ano. Então começou a inspirar-se na música que chamou a atenção da sua amada Inês. 

  Ela foi até ele, sentou-se e deixou-se ir pelo som da melodia. Passados quarenta minutos, Dinis pegou na mão da Inês e começaram a dançar, mas Inês não gostou muito. 

  -Dinis, sabes que eu não gosto nada disso! - disse ela, muito irritada. 

  -Desculpa Inês, sabes que não é por mal, mas... eu gosto muito de ti - disse ele, muito tímido. 

  Depois, Inês foi embora para sua casa. Chegando em casa,  Inês ficou a pensar sobre o que tinha acontecido nessa tarde. Como ela não tinha com quem falar em casa, pois a mãe dela trabalhava muito, o pai também, a irmã nem se fala, e elas davam-se muito mal, estavam sempre a discutir, então o que lhe restava era desabafar no deu diário. Aquele diário era o que ela tinha de mais precioso e, então, começou a escrever. 

  “4/11/25  

  Querido diário, hoje o Dinis agarrou-me para dançar com ele, eu até gosto dele mas, sei lá, eu tenho vergonha dele estar sempre a tocar violão, parece que só vê o violão, mas enfim vou tentar esquecer-me dele.”  

  Passado um mês e meio, Dinis parou de tocar o seu violão de que tanto gostava. Mas porque será que ele parou? Bom, Dinis encontrou o diário de Inês. Quando ela estava a sair da aula deixou-o cair e, então, ele pegou-o do chão para o devolver; mas como ele era muito curioso levou-o para casa e leu-o. 

  Inês percebeu que Dinis tinha deixado de tocar, mas sentiu falta das suas melodias. Então decidiu falar com o Dinis e perguntar  o porquê dele ter deixado de tocar. Mandou-lhe mensagem. 

  “Mensagem: 

  Olá Dinis, porque não tocas mais violão? Tenho saudades das musicas. beijos Inês” 

  Depois da Inês ter mandado aquela mensagem ao Dinis, ele ficou a pensar e tomou a decisão de voltar a tocar. Depois disso ele dedicou uma canção a Inês, que adorou a música e deu um beijo ao Dinis. Dinis tirou um anel do bolso e pediu-a em namoro. 

  E assim a canção uniu os corações.


FIM

Maria Inês 7ºC nº19



A melodia do desconhecido

por Francisco Couto, 9ºA

     No centro da sala, um rapaz segurava um violino de formas estranhas, quase impossíveis, como se tivesse nascido num sonho. Quando passou o dedo pelas cordas, o ar estremeceu com um som que não parecia deste mundo. Ninguém sabia ao certo de onde viera aquele instrumento — apenas que ele mudaria tudo.

     O rapaz, ficou muito fascinado com este som, pois, ao mexer, sentia uma força que parecia que este objeto não estava ali por acaso, tinha uma razão muito maior.

     No país onde morava, nos Estados do Comércio de Gregória, ou só Gregória, devido ao seu domínio do mercado global, houve uma revolução gigantesca que levou à criação de um enorme problema, que era a troca de tudo pelos ecrãs. Onde já houve crianças a brincar com os pais no parque, agora havia crianças só no telemóvel e os pais também; onde já houve natureza, agora só existiam fábricas onde se produzem essas telas, e o pior é que as pessoas não se importavam.

     Devido a esse problema, o rapaz tentou, tentou, e tentou, mas não consegui achar uma forma de resolver esse problema, porque o mundo inteiro já estava sob a influência de Gregória. Mesmo tentando tirar os ecrãs às pessoas, destruindo os ecrãs na rua, era impossível, porque as pessoas criaram uma resistência de tal modo, que as impedia de largar os aparelhos.

     O pobre rapaz, sem esperança, chamou a este evento de A Maldição das Tecnologias. O mundo parecia que tinha perdido toda a sua cor, mas não. No meio do Oceano Panreciano, havia uma pequena ilha, onde só os que tentavam mudar aquele mundo tão cinzento é que conseguiam contactar e ver essa ilha que se chamava de Liberumdade. Liberumdade foi encontrada por um refugiado, que só queria livrar-se dos ecrãs, e ao encontrar esse lugar cheio de cor, com os seus instrumentos musicais, lançou um feitiço que tornava a ilha visível só a quem queria a mudança.

     Devido ao espírito de mudança do rapaz, recebeu aquele violino que o conectava diretamente àquela ilha magnifica. Ao chegar lá, o rapaz ficou admirado com a beleza daquele lugar, mas ficou triste ao ver que aquele era o único lugar na terra que tinha beleza.

     Mas a sua chegada foi o suficiente, para o líder de Liberumdade, poder realizar o seu plano de mudança. Na ilha encontravam-se cinquenta esperançosos, e com os instrumentos que os trouxeram para aquele lugar, tinham a energia suficiente para reverter a maldição que banhava aquele mundo.

     O líder, com todos os esperançosos criaram uma orquestra; todos juntos criavam uma melodia divinal. Então, ao começarem a tocar, a energia foi de tal maneira forte, que conseguiu chegar a todo o mundo e transformou o cinzento numa chuva de cores que destruiu as telas e restaurou a natureza e a beleza do mundo.

     As pessoas finalmente voltaram a socializar e o pequeno rapaz ficou mais do que contente, ficou radiante.

 

Moral: Há mais vida lá fora do que os ecrãs.

 

Francisco Couto, 9ºA


  

Conto escrito por Sofia Palha, 11ºD

 

 A floresta parecia respirar ao ritmo das notas que o jovem violinista arrancava do seu estranho instrumento dourado. Entre manchas de luz e sombra, a música espalhava-se como se procurasse alguém perdido. O rapaz, de olhar firme, sabia que cada melodia podia mexer com o ambiente. Naquela tarde, porém, algo respondeu do outro lado — um eco que não era apenas som, mas convite. E, sem perceber, deu o primeiro passo para um mundo que mudaria tudo.

O menino, Gustavo, que lhe agrada mais Guga, nem sempre soube que tinha este dom com a música. Nasceu já sem a presença de seu pai e a sua mãe poucos anos passou com ele também antes de partir. Habituou-se a viver da companhia de outros meninos em situações semelhantes e de famílias que prestassem ajuda. Naquela vila ninguém deixava o próximo para atrás, e Guga não seria exceção. Foi com uma dessas famílias que o pequeno descobriu o violino, que estava lá desamparado numa cadeira de baloiço enquanto Guga passava lá a sua tarde. Questionou-se de que objeto seria aquele. Nunca tinha visto um assim. Pegou e descobriu nos sons que tocavam quando fazia bom uso dele: “Nunca senti nada assim...” Pensou ele. Sentiu uma brisa de ar estranhamente confortante ao tocá-lo, e uma sensação de que já conhecia aquelas melodias.

O dono do instrumento, o Senhor Domingos, acabou por oferecê-lo ao pobre menino que parecia que só vinha à casa visitá-lo para poder tocar o instrumento tão desejado. O Guga tinha amigos, e sem qualquer sombra de dúvidas, gostava deles, no entanto, aquele violino conseguia sempre roubar-lhe a atenção.

Se havia algo que o Guga gostava tanto quanto tocar, era a natureza. Fazia questão de todos os dias, guardar um tempo para se divertir a tocar ao sabor do vento e sentir as folhas à sua volta dançar com os seus movimentos. Este dia foi diferente, no entanto. Nunca achou Guga que estivesse acompanhado nas suas viagens à floresta, porém naquele dia sentia uma presença. Não, não só uma presença, ou uma sensação. Uma voz.

O jovem ficou espantado. Ele acreditava na magia? Nunca parou muito para pensar. Se calhar a natureza a dançar para as suas melodias seriam apenas as leis da física. Mas falar? Ele certamente isso é que nunca tinha ponderado. Guga olha para o seu violino dourado como se este, sim, fosse expectável que falasse com ele, num jeito de “Ouviste isto?”. Porém acabou sem resposta. É então que continua lentamente a tocar, a voltar ao que estava a fazer, quando vê uma pequena porta a criar-se ao som das suas notas. Ele fica estupefacto mas não para ao ver o que faz. Forma-se uma espécie de silhueta do outro lado. Seria um animal? Não, era mais similar a uma pessoa. Uma pessoa muito importante para Gustavo.

O menino não gostava de admitir aos amigos, mas quando tocava pensava nos assuntos mais profundos que lhe perturbavam a mente. A sua mãe tomava-lhe um lugar muito especial no coração, e por isso Guga dedicava muitas das suas canções à mesma. Ficou de lágrimas nos olhos ao ver o que havia criado. Ele sabia que não era real. Sabia que era mais um efeito das suas melodias, tais como o que causava às árvores e pequenas plantas, mas não conseguiu parar de sorrir abertamente como se fosse real.

 

Sofia Palha, 11ºD


CONTO ESCRITO por Petra Ribeiro, 12ºE

 

A tarde caía num turbilhão de cores quando o estranho violinista surgiu na clareira, como se tivesse acabado de escapar de um sonho pintado à pressa. A sua figura robusta contrastava com a delicadeza do instrumento que segurava, geometricamente imperfeito, mas vivo. Quando passou o arco pelas cordas, o ar pareceu prender a respiração. Havia algo naquela melodia — algo que prometia mudar o destino de quem a ouvisse.

A melodia tocada era uma novidade, algo nunca antes escutado naquela clareira. Esta deixava todos à sua volta a chorar. Estava tudo tão alegre, as pessoas à sua volta pareciam ansiosas para ouvir cada compasso. Enquanto se preparava e se aperaltavam para começar a sua sinfonia, o violinista sentia-se em um sonho, mas quando o som da primeira nota era escutado todo o sonho colorido se tornava um pesadelo, sombrio e tenebroso.

Todos os dias, o estranho violinista ia até à clareira às quinze e quarenta e seis em ponto, este era sempre pontual. No primeiro dia recebeu imensas pessoas para o escutar, mas com o passar dos dias, por causa da sua melodia, ou pelo desgaste da sua cor, ou até pela sua forma de vestir as pessoas presentes começaram a desaparecer aos poucos.

Após cerca de cinco semanas, o violinista já só tinha um público de cerca de cinco ou seis pessoas. Qualquer violinista comum desistiria e iria tentar tocar em outro lugar onde a sua música fosse apreciada. Mas o nosso violinista era diferente dos demais, era persistente, aquele era o seu sonho e ele não queria abdicar dele. Então  em uma noite resolveu que iria mudar o ritmo da melodia que tocava, para que assim o público, que antes o chorava, pudesse dançar.

Estava decidido. Passou a noite toda a pensar em que parte se encaixaria melhor cada nota, em que velocidade deveria tocar ou até que roupa deveria vestir.

Sentia-se pronto. Pegou no seu violino e dirigiu-se para a clareira, desta vez mais confiante. Mas, para a sua surpresa estava à sua espera um menino, que teria aproximadamente oito anos, segurando um violino. Os olhos do menino transpareciam alegria. Então o violinista questionou o que um menino daquela idade estava a fazer no cimo de uma clareira. O menino responde que estava à espera do violinista.

O violinista fica estupefacto e pergunta ao menino o porquê de ele estar ali e o menino respondeu-lhe que queria aprender a tocar violino como ele. O violinista ficou extremamente feliz, então começou a ensinar-lhe nota por nota a melodia que tocava sempre até à data e, quando o menino se sentiu pronto, tocaram os dois juntos. Mas, desta vez, a clareira, encheu-se de gente pronta e disposta para a ouvir. Vê-se uma lágrima no olho do violinista.

- Juntos conseguimos! – disse o menino.

Ao fundo ouvem-se aplausos constantes. O violinista voltou à realidade e desta vez não estava na clareira, mas sim num auditório cheio de pessoas a aplaudir a sua música. Ao seu lado estava o menino, já crescido, com o violino na mão e a agradecer. Ele tinha conquistado o seu sonho como sempre desejou e, com isso percebeu que precisava de alguém que o entendesse.                                                                                         

Petra Ribeiro, 12ºE


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