CONTOS VENCEDORES do Concurso "Conto à Vista"
A canção que uniu o amor.
por Maria Inês, 7ºC
Sentado à beira da estrada, o homem dedilhava o violão como se cada nota fosse um pedaço de história a ganhar asas. Os viajantes que passavam abrandavam, atraídos pela melodia quente que parecia pintar o ar de luz. Entre eles estava Dinis, que nunca tinha ouvido uma canção capaz de a fazer parar assim. Quando os olhos dele se cruzaram com os dela, a música mudou — como se fosse um convite silencioso para uma aventura que ainda ninguém tinha escrito. E foi aí que tudo começou.
Dinis era um rapaz muito gentil, engraçado, carinhoso e muito apaixonado por músicas; ele tinha apenas 15 anos. Numa bela tarde estava a tocar o seu violão ao pé da estrada, perto de uma árvore, e deparou-se com Inês, a rapariga de quem ele gostava desde o 7º ano. Então começou a inspirar-se na música que chamou a atenção da sua amada Inês.
Ela foi até ele, sentou-se e deixou-se ir pelo som da melodia. Passados quarenta minutos, Dinis pegou na mão da Inês e começaram a dançar, mas Inês não gostou muito.
-Dinis, sabes que eu não gosto nada disso! - disse ela, muito irritada.
-Desculpa Inês, sabes que não é por mal, mas... eu gosto muito de ti - disse ele, muito tímido.
Depois, Inês foi embora para sua casa. Chegando em casa, Inês ficou a pensar sobre o que tinha acontecido nessa tarde. Como ela não tinha com quem falar em casa, pois a mãe dela trabalhava muito, o pai também, a irmã nem se fala, e elas davam-se muito mal, estavam sempre a discutir, então o que lhe restava era desabafar no deu diário. Aquele diário era o que ela tinha de mais precioso e, então, começou a escrever.
“4/11/25
Querido diário, hoje o Dinis agarrou-me para dançar com ele, eu até gosto dele mas, sei lá, eu tenho vergonha dele estar sempre a tocar violão, parece que só vê o violão, mas enfim vou tentar esquecer-me dele.”
Passado um mês e meio, Dinis parou de tocar o seu violão de que tanto gostava. Mas porque será que ele parou? Bom, Dinis encontrou o diário de Inês. Quando ela estava a sair da aula deixou-o cair e, então, ele pegou-o do chão para o devolver; mas como ele era muito curioso levou-o para casa e leu-o.
Inês percebeu que Dinis tinha deixado de tocar, mas sentiu falta das suas melodias. Então decidiu falar com o Dinis e perguntar o porquê dele ter deixado de tocar. Mandou-lhe mensagem.
“Mensagem:
Olá Dinis, porque não tocas mais violão? Tenho saudades das musicas. beijos Inês”
Depois da Inês ter mandado aquela mensagem ao Dinis, ele ficou a pensar e tomou a decisão de voltar a tocar. Depois disso ele dedicou uma canção a Inês, que adorou a música e deu um beijo ao Dinis. Dinis tirou um anel do bolso e pediu-a em namoro.
E assim a canção uniu os corações.
FIM
Maria Inês 7ºC nº19
A melodia do desconhecido
por Francisco Couto, 9ºA
No centro da sala, um rapaz segurava um
violino de formas estranhas, quase impossíveis, como se tivesse nascido num
sonho. Quando passou o dedo pelas cordas, o ar estremeceu com um som que não
parecia deste mundo. Ninguém sabia ao certo de onde viera aquele instrumento —
apenas que ele mudaria tudo.
O rapaz, ficou muito fascinado com este
som, pois, ao mexer, sentia uma força que parecia que este objeto não estava
ali por acaso, tinha uma razão muito maior.
No país onde morava, nos Estados do
Comércio de Gregória, ou só Gregória, devido ao seu domínio do mercado global, houve
uma revolução gigantesca que levou à criação de um enorme problema, que era a troca
de tudo pelos ecrãs. Onde já houve crianças a brincar com os pais no parque,
agora havia crianças só no telemóvel e os pais também; onde já houve natureza,
agora só existiam fábricas onde se produzem essas telas, e o pior é que as
pessoas não se importavam.
Devido a esse problema, o rapaz tentou,
tentou, e tentou, mas não consegui achar uma forma de resolver esse problema,
porque o mundo inteiro já estava sob a influência de Gregória. Mesmo tentando
tirar os ecrãs às pessoas, destruindo os ecrãs na rua, era impossível, porque
as pessoas criaram uma resistência de tal modo, que as impedia de largar os
aparelhos.
O pobre rapaz, sem esperança, chamou a
este evento de A Maldição das Tecnologias. O mundo parecia que tinha perdido
toda a sua cor, mas não. No meio do Oceano Panreciano, havia uma pequena ilha, onde
só os que tentavam mudar aquele mundo tão cinzento é que conseguiam contactar e
ver essa ilha que se chamava de Liberumdade. Liberumdade foi encontrada por um
refugiado, que só queria livrar-se dos ecrãs, e ao encontrar esse lugar cheio
de cor, com os seus instrumentos musicais, lançou um feitiço que tornava a ilha
visível só a quem queria a mudança.
Devido ao espírito de mudança do rapaz,
recebeu aquele violino que o conectava diretamente àquela ilha magnifica. Ao
chegar lá, o rapaz ficou admirado com a beleza daquele lugar, mas ficou triste
ao ver que aquele era o único lugar na terra que tinha beleza.
Mas a sua chegada foi o suficiente, para o
líder de Liberumdade, poder realizar o seu plano de mudança. Na ilha
encontravam-se cinquenta esperançosos, e com os instrumentos que os trouxeram
para aquele lugar, tinham a energia suficiente para reverter a maldição que
banhava aquele mundo.
O líder, com todos os esperançosos criaram
uma orquestra; todos juntos criavam uma melodia divinal. Então, ao começarem a
tocar, a energia foi de tal maneira forte, que conseguiu chegar a todo o mundo
e transformou o cinzento numa chuva de cores que destruiu as telas e restaurou
a natureza e a beleza do mundo.
As pessoas finalmente voltaram a
socializar e o pequeno rapaz ficou mais do que contente, ficou radiante.
Moral:
Há mais vida lá fora do que os ecrãs.
Francisco Couto, 9ºA
Conto escrito
por Sofia Palha, 11ºD
A floresta parecia
respirar ao ritmo das notas que o jovem violinista arrancava do seu estranho
instrumento dourado. Entre manchas de luz e sombra, a música espalhava-se como
se procurasse alguém perdido. O rapaz, de olhar firme, sabia que cada melodia podia
mexer com o ambiente. Naquela tarde, porém, algo respondeu do outro lado — um
eco que não era apenas som, mas convite. E, sem perceber, deu o primeiro passo
para um mundo que mudaria tudo.
O menino, Gustavo, que lhe agrada mais
Guga, nem sempre soube que tinha este dom com a música. Nasceu já sem a
presença de seu pai e a sua mãe poucos anos passou com ele também antes de
partir. Habituou-se a viver da companhia de outros meninos em situações
semelhantes e de famílias que prestassem ajuda. Naquela vila ninguém deixava o
próximo para atrás, e Guga não seria exceção. Foi com uma dessas famílias que o
pequeno descobriu o violino, que estava lá desamparado numa cadeira de baloiço
enquanto Guga passava lá a sua tarde. Questionou-se de que objeto seria aquele.
Nunca tinha visto um assim. Pegou e descobriu nos sons que tocavam quando fazia
bom uso dele: “Nunca senti nada assim...” Pensou ele. Sentiu uma brisa de ar
estranhamente confortante ao tocá-lo, e uma sensação de que já conhecia aquelas
melodias.
O dono do instrumento, o Senhor
Domingos, acabou por oferecê-lo ao pobre menino que parecia que só vinha à casa
visitá-lo para poder tocar o instrumento tão desejado. O Guga tinha amigos, e
sem qualquer sombra de dúvidas, gostava deles, no entanto, aquele violino
conseguia sempre roubar-lhe a atenção.
Se havia algo que o Guga gostava tanto
quanto tocar, era a natureza. Fazia questão de todos os dias, guardar um tempo
para se divertir a tocar ao sabor do vento e sentir as folhas à sua volta
dançar com os seus movimentos. Este dia foi diferente, no entanto. Nunca achou
Guga que estivesse acompanhado nas suas viagens à floresta, porém naquele dia
sentia uma presença. Não, não só uma presença, ou uma sensação. Uma voz.
O jovem ficou espantado. Ele acreditava
na magia? Nunca parou muito para pensar. Se calhar a natureza a dançar para as
suas melodias seriam apenas as leis da física. Mas falar? Ele certamente isso é
que nunca tinha ponderado. Guga olha para o seu violino dourado como se este,
sim, fosse expectável que falasse com ele, num jeito de “Ouviste isto?”. Porém
acabou sem resposta. É então que continua lentamente a tocar, a voltar ao que
estava a fazer, quando vê uma pequena porta a criar-se ao som das suas notas.
Ele fica estupefacto mas não para ao ver o que faz. Forma-se uma espécie de
silhueta do outro lado. Seria um animal? Não, era mais similar a uma pessoa.
Uma pessoa muito importante para Gustavo.
O menino não gostava de admitir
aos amigos, mas quando tocava pensava nos assuntos mais profundos que lhe perturbavam
a mente. A sua mãe tomava-lhe um lugar muito especial no coração, e por isso
Guga dedicava muitas das suas canções à mesma. Ficou de lágrimas nos olhos ao
ver o que havia criado. Ele sabia que não era real. Sabia que era mais um
efeito das suas melodias, tais como o que causava às árvores e pequenas
plantas, mas não conseguiu parar de sorrir abertamente como se fosse real.
Sofia Palha, 11ºD
CONTO ESCRITO por
Petra Ribeiro, 12ºE
A
tarde caía num turbilhão de cores quando o estranho violinista surgiu na
clareira, como se tivesse acabado de escapar de um sonho pintado à pressa. A
sua figura robusta contrastava com a delicadeza do instrumento que segurava,
geometricamente imperfeito, mas vivo. Quando passou o arco pelas cordas, o ar
pareceu prender a respiração. Havia algo naquela melodia — algo que prometia
mudar o destino de quem a ouvisse.
A melodia
tocada era uma novidade, algo nunca antes escutado naquela clareira. Esta
deixava todos à sua volta a chorar. Estava tudo tão alegre, as pessoas à sua
volta pareciam ansiosas para ouvir cada compasso. Enquanto se preparava e se
aperaltavam para começar a sua sinfonia, o violinista sentia-se em um sonho,
mas quando o som da primeira nota era escutado todo o sonho colorido se tornava
um pesadelo, sombrio e tenebroso.
Todos os dias, o estranho violinista ia até à
clareira às quinze e quarenta e seis em ponto, este era sempre pontual. No
primeiro dia recebeu imensas pessoas para o escutar, mas com o passar dos dias,
por causa da sua melodia, ou pelo desgaste da sua cor, ou até pela sua forma de
vestir as pessoas presentes começaram a desaparecer aos poucos.
Após cerca de cinco semanas, o violinista já
só tinha um público de cerca de cinco ou seis pessoas. Qualquer violinista
comum desistiria e iria tentar tocar em outro lugar onde a sua música fosse
apreciada. Mas o nosso violinista era diferente dos demais, era persistente,
aquele era o seu sonho e ele não queria abdicar dele. Então em uma noite resolveu que iria mudar o ritmo
da melodia que tocava, para que assim o público, que antes o chorava, pudesse
dançar.
Estava decidido. Passou a noite toda a pensar
em que parte se encaixaria melhor cada nota, em que velocidade deveria tocar ou
até que roupa deveria vestir.
Sentia-se pronto. Pegou no seu violino e
dirigiu-se para a clareira, desta vez mais confiante. Mas, para a sua surpresa
estava à sua espera um menino, que teria aproximadamente oito anos, segurando
um violino. Os olhos do menino transpareciam alegria. Então o violinista
questionou o que um menino daquela idade estava a fazer no cimo de uma
clareira. O menino responde que estava à espera do violinista.
O violinista fica estupefacto e pergunta ao
menino o porquê de ele estar ali e o menino respondeu-lhe que queria aprender a
tocar violino como ele. O violinista ficou extremamente feliz, então começou a
ensinar-lhe nota por nota a melodia que tocava sempre até à data e, quando o
menino se sentiu pronto, tocaram os dois juntos. Mas, desta vez, a clareira,
encheu-se de gente pronta e disposta para a ouvir. Vê-se uma lágrima no olho do
violinista.
- Juntos conseguimos! – disse o menino.
Ao fundo ouvem-se aplausos constantes. O
violinista voltou à realidade e desta vez não estava na clareira, mas sim num
auditório cheio de pessoas a aplaudir a sua música. Ao seu lado estava o
menino, já crescido, com o violino na mão e a agradecer. Ele tinha conquistado
o seu sonho como sempre desejou e, com isso percebeu que precisava de alguém
que o entendesse.
Petra
Ribeiro, 12ºE
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